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O que os professores da FDC têm a dizer sobre os impactos do Coronavírus?

27/03/2020


A pandemia do Coronavírus está trazendo novas reflexões não só às organizações, mas como para toda sociedade. No Brasil, o crescimento exponencial do número de pessoas contaminadas pelo COVID-19 tem feito com que as pessoas se isolem em casa e as empresas adotem o home office.

As atitudes para enfrentar esse “cisne negro" em nosso dia a dia têm feito com que especialistas em diversos segmentos debatam sobre o impacto que esse evento – e não só ele – deixará em nossas rotinas, em nossos comportamentos e, claro, em nossa economia.

A Fundação Dom Cabral convidou alguns de seus professores para explorar essas questões no Podcast Diálogos, episódio #27 “Reflexões e impactos sobre o coronavírus". Confira quais são os principais aspectos que cada um tem sobre o assunto a seguir.

Paulo Resende: “Podemos olhar outros aspectos para além da desaceleração econômica e a necessidade de reduzir a capacidade produtiva".




Professor de logística, transporte e planejamento da FDC, Paulo acredita que é necessário se discutir pontos que pouco se fala: “Como vai funcionar as demandas das pessoas e empresas por produtos e serviços? Sem falar do suprimento e de como a cadeia produtiva vai reagir a essa demanda. Eu acho que deveríamos olhar uma certeza: nós teremos em todas as cadeias produtivas uma grande variabilidade da demanda".

Resende também reflete sobre o tipo de relações que os governos deverão ter a partir do aprendizado do coronavírus. “Essa pandemia também vai trazer mudanças muito grandes nas relações globais. É preciso perceber que movimentos unilaterais não funcionarão mais. Eu acho que partir de agora, as relações não serão mais só comerciais. Vamos começar a pensar em inovações conjuntas, movimentos mundiais de cadeias de suprimento", completa o Professor.

Carlos Braga: “os mercados financeiros estão em processo de grande disrupção!"

Já para o professor da FDC Carlos Braga, antes de saber a profundidade dos impactos econômicos do coronavírus, é preciso saber o que de fato o que é uma recessão mundial: “Para o FMI, recessão é quando a renda per capta de um país deixa de crescer. E isso está muito próximo a acontecer, já que as previsões de crescimento estão próximas a 2,4%, abaixo do crescimento atual da população".

Sobre esse ponto de vista, Braga acredita que os impactos estão muito diferenciados entre os países, como a China, Itália, EUA e Brasil, por exemplo. Por outro lado, ele acredita que esses resultados terão efeito de acordo com a capacidade de resposta de cada governo, tanto na área de saúde pública, como também em termos financeiros.

Ele ainda lembra que, além do Covid-19, o mercado passa pela a guerra de preços do petróleo, um cisne negro que preocupa tanto quando o vírus: “isso tem colocado uma pressão financeira tremenda no setor de energia ao redor do mundo".


Paulo Vicente: os impactos desses cisnes negros podem ser bons ou não.

Para professor de tempo integral da FDC, Paulo Vicente, os Cisnes Negros (do inglês Black Swan) são geralmente imprevisíveis e podem deixar impactos negativos ou positivos. “O Black Swan que estamos vivendo agora não é tão raro assim. Epidemias acontecem em média uma vez por década e com impactos variados".

Ele completa: “a situação que estamos enfrentando é das mais difíceis por ela não ter uma letalidade tão grande, ela se espalha fácil, afetando e sobrecarregando os sistemas hospitalares".

Um fato que preocupa muito a economia, na visão de Paulo, é que atualmente temos dois cisnes negros, o que é muito raro de acontecer: “temos, além do Covid-19, a baixa repentina nos preços de petróleo por causa do desacordo entre Arábia Saudita e Rússia que ninguém esperava naquele momento".

Luciana Ferreira: “Home office não é inovação, mas a forma como lidamos com ele pode ser mais inovadora".

Outras formas de lidar com o trabalho e até mesmo com o espaço organizacional e, mais ainda, com a sua própria casa, é um dos aspectos apontados pela professora das áreas de Liderança e Inovação Luciana Ferreira.

Na visão da professora, ainda que ficar em casa seja uma forma de se proteger, o contexto é de muita incerteza e insegurança. Mesmo que se use muito o home office, essa medida demorará a ser percebida como algo interessante, positivo e produtivo porque os funcionários não estão confortáveis, mesmo em casa, devido a pandemia e suas possíveis consequências.



Paul Ferreira: o líder deve ser parte da solução.

Já o professor das áreas de Liderança e Estratégia da Fundação Dom Cabral acredita que o líder será uma peça fundamental para superar as dificuldades que os impactos desses cisnes negros causarão nas organizações.

“De uma forma prática, vai ser importante o líder fazer parte da solução, que sejam capazes de atuar rapidamente no curto prazo e que sejam capazes de identificar como aproveitar desses ensinados para modificar ao longo prazo e se preparar para uma retomada da economia."

Paul salienta, ainda, que o líder precisa, em primeiro lugar, preservar as pessoas na organização: “eles devem assegurar que qualquer pessoa da empresa, mas os clientes e os stekeholders mais alargada, sejam protegidos. Isso passa por programas de higiene, necessidade de quarentenas, ter regras claras de proteger todos os empregados".

A conversa, que você pode conferir na íntegra, traz uma amplitude maior do que estamos passando atualmente no ponto de vista dos especialistas da FDC. Não deixe de conferir esse episódio, como os demais conteúdos que a Fundação Dom Cabral tem a oferecer ao longo desse período desafiador que estamos enfrentando.

Clique no ícone e ouça o podcast "Diálogos FDC #27 - reflexões e impactos sobre o coronavírus."