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Finanças Corporativas como aliada

20/08/2019




As empresas podem ser definidas como instituições historicamente desenhadas para operar em uma economia monetária capitalista, em condições de escassez de recursos materiais, humanos; de restrições de cunho legal e regulatório; e de desafios competitivos vinculados à geração de lucros. A busca por retorno que possa fazer frente ao custo do capital aportado na empresa envolve estratégia corporativa de inovação tecnológica, de logística e produção, marketing, treinamento e formação de pessoas e associações com outras empresas.


Neste contexto competitivo, as finanças corporativas cumprem três papéis no dia a dia empresarial. O primeiro deles diz respeito à sua linguagem, que se tornou o idioma oficial nas organizações empresariais. A terminologia das finanças é direta e simples. Através dela fica mais fácil promover a disseminação (disclosure) dos objetivos estratégicos estabelecidos pela cúpula aos demais colaboradores e ao mercado. Até entrevistas para contratação de novos profissionais é carregada de termos financeiros. Ou seja, a linguagem empresarial abarca, em grande medida, o vocabulário financeiro. 


O segundo papel das finanças corporativas diz respeito sua utilização no desenho de modelos simulados de cenários e de riscos associados e de projeção de resultados. O planejamento empresarial utiliza fartamente os conceitos de fluxo de caixa, de custo e estrutura de capital, capital de giro, liquidez, rentabilidade e agregação de valor. A artilharia das finanças torna o planejamento “cartesiano-orientado” e em formato inteligível aos investidores e demais participantes do mercado. Esta talvez seja a utilização mais nobre das finanças empresariais, com foco no futuro, na busca pela perenidade e agregação de valor.


Finalmente, as finanças corporativas são utilizadas como metodologia de aferição de resultados econômico-financeiros de quaisquer estratégias empresariais adotadas. Busca-se medir desvios em relação aos objetivos estabelecidos, formando massa crítica para as estratégias seguintes, num círculo virtuoso. Esse processo resulta no estabelecimento de uma cultura “valor-orientada”.


Quanto mais disseminado o conhecimento de finanças na empresa, mais bem desenhada tende a ser a estratégia empresarial, menos percalços são enfrentados na sua implementação e mais facilmente serão compreendidos os eventuais desvios em relação às metas que possam surgir, no decorrer do tempo. Entretanto, ressalta-se que estratégias bem-feitas não são garantia de sucesso empresarial no contexto competitivo. Mas a probabilidade de sucesso, em termos de aumento do valor corporativo, tende a ser maior.


Texto compartilhado da Fundação Dom Cabral, escrito por Haroldo Guimarães Brasil.